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Mercado de trabalho para a pessoa autista: somente a acessibilidade importa?

Por Mirella Agochian, no Canal Autismo



Foto: Freepik


Ao longo da minha experiência profissional com inclusão, pude acompanhar a rotina de adultos autistas com diferentes níveis de suporte em seus postos de trabalho. Com isso, posso afirmar que há sempre um ser humano antes de qualquer diagnóstico e o quanto é imprescindível respeitá-los em relação a encontrarem o seu caminho. Sim, é necessário que haja engajamento da família – para gerar estímulos de autonomia, e suporte da empresa – para gerar acessibilidade, mas compreender a motivação de cada indivíduo é a prioridade antes de colocar alguns dos nossos anseios em jogo.


Abre-se um imenso leque na vida dos pais no momento que o filho autista se aproxima da fase adulta, pois, durante a infância não existe pressão sobre precisar trabalhar, planejar-se financeiramente e até mesmo formar uma família. E, de forma específica, fazê-lo seguir essas demandas sociais de maneira desestruturada poderá trazer consequências negativas, além de evidenciar que se está mais preocupado com uma satisfação pessoal do que com a qualidade de vida dessa pessoa.


Pessoas autistas afligem-se por diferentes razões para ingressar no mercado de trabalho e é preciso deixar de lado o conceito de que “qualquer atividade é bem-vinda, pois o objetivo é se atarefar”. A motivação também pode ser percebida ao trazermos o seu sentido de forma muito concreta ao indivíduo, como, por exemplo, adquirir um novo equipamento para praticar seu esporte favorito ou ir ao parque tomar o sorvete mais gostoso que existe. É a percepção do propósito de estar exercendo uma atividade que nos mantém em nossos postos, e, não menos importante, o vínculo que se tem com os colegas de equipe e o bem-estar que o ambiente deverá lhe trazer.


Todas as pessoas podem participar significativamente da sociedade e contribuir com a economia de um país, porém o acesso à qualificação para desempenhar atividades laborais com excelência ainda é desafiador às pessoas neurodivergentes. Em vista disso, além da busca por iniciativas que tornam a inclusão viável, a indicação de rede de apoio externa, como psicoterapeutas, também é recomendada para que haja suporte para o indivíduo e para a família compreenderem como poderão identificar as suas potencialidades e dominar seus maiores desafios.

Mirella Agochian, psicóloga pós-graduada em tratamento no transtorno do espectro do autismo, atua há 6 anos com o público autista e integra a equipe de especialistas em desenvolvimento profissional na Specialisterne Brasil – empresa social que realiza formação, inclusão e acompanhamento de pessoas autistas no mercado de trabalho.




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